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O Nação Flamengo entrevista João Henrique Areias

Eneas Lima   |   29 de setembro às 15:16

Enéas Lima, Rio de Janeiro.

Em ano eleitoral, o site Nação Flamengo está buscando entrevistar todos os candidatos que pretendem concorrer à presidência do clube. E agradecemos desde já, João Henrique Areias, pela atenção dada ao site e as duvidas que o torcedor do Flamengo possa ter em relação a sua candidatura

João Henrique Areias, quais são as principais mudanças que você  implementará no Flamengo caso seja eleito? Quais os principais projetos?

Dentre todas as mudanças que estamos propondo, a mais importante é a da gestão, que passará a ser profissional. Ter em mãos um projeto que prepare o Flamengo para isso será fundamental. Por isso, já no dia 15 de novembro iremos apresentar como será feita cada etapa deste projeto maior, que se chama Fla 21. Para isso, serão criados grupos de trabalho, liderados por profissionais renomados em diversas áreas; o contencioso, que apresentará solução para as dívidas do clube, outro para a construção de um estádio, outro para o Centro de Treinamento, entre outros.   

Num ambiente político como o do Flamengo, que ferve em ano eleitoral, você recebeu convites para fazer alianças com Márcio Braga, Plinio Serpa Pinto e Kleber Leite. O que te levou a não aceitar a aliança com esses dirigentes?

O que me convenceu a aceitar este desafio foi o nível dos participantes do grupo FLA21. Pessoas que não precisam do Flamengo para viver, são profissionais do mais alto gabarito, mas que, acima de tudo, sentiram a paixão pelo rubro-negro falar mais alto. Ter ao seu lado pessoas como Humberto Mota, presidente da Duty Free, o Marco Pólo Moreira Leite, que é uma referência no comércio exterior e um dos principais executivos da câmara de comércio Brasil-China, Cláudio Pracownik, executivo da Ágora Corretora, do Ornub Couto, que é uma referência na área jurídica no Brasil, me dão a certeza de contar com uma equipe muito competente durante todo o desenvolvimento do projeto. Esta eleição não é a indicação de um nome para presidente e sim a indicação do projeto de um grupo como um todo, que visa colocar o Flamengo definitivamente no século 21.

FUTEBOL

Qual seria o modelo de gestão ideal para o departamento de futebol do rubro-negro?

Há algum tempo o Flamengo trabalha com o modelo de dirigente amador que chega ao clube no fim da tarde para tomar todas as decisões. Este é um modelo que não se sustenta mais nos dias de hoje. Deu certo até os anos 70. Hoje em dia, com a entrada de novos “atores” neste cenário, como os empresários de jogadores, os patrocinadores e a televisão, é vital que os clubes sejam representados por executivos capacitados e profissionais, que dediquem todo o seu tempo para esta função. Mas isso não é uma necessidade exclusiva do futebol, creio que tanto os Esportes Olímpicos, como a administração da Sede Social também devem apresentar uma estrutura semelhante para que se possa atender aos associados e aos rubro-negros que prestigiam as demais modalidades. 

O Flamengo, assim como outros clubes no Brasil, tem jogadores ligados a grupo de investidores como a TRAFFIC, MFD e o grupo Sonda. Qual a sua opinião em relação à participação dos grupos de investidores no futebol dos clubes, especificamente o Flamengo?

Cada caso será analisado separadamente. Temos de deixar claro que os contratos e obrigações assinados previamente serão cumpridos, mesmo que, na nossa visão, não sejam vantajosos para o clube. A partir do momento que a nossa própria estrutura estiver montada - e isso terá início já em janeiro de 2010 - o atleta que vier para o Flamengo saberá que precisará seguir algumas normas de conduta e que caso tenha empresário ou grupo de investidores precisará cumprir metas durante a sua passagem pelo clube. Não aceitaremos ser apenas vitrine ou trampolim para negócios futuros.

FLAMENGO SEM MARACANÃ

João Henrique Areias, com a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014, o Maracanã será fechado para se adequar aos requisitos da FIFA. O Maracanã é o palco da festa da torcida rubro-negra e palco das grandes conquistas da história do clube. Sem Maracanã, caso eleito, você pretende fazer parcerias com o Botafogo para a utilização do Engenhão e com a prefeitura de Volta Redonda para a utilização do Estádio Raulino de Oliveira? Ou para aproximar o torcedor do time, você não descartaria levar o time para atuar em Estados como o Amazonas, que tem uma quantidade enorme de torcedores do Flamengo?

Sem dúvida, o Maracanã é a referência para qualquer torcedor rubro-negro, mas precisamos negociar com a Suderj para que o estádio seja rentável para o clube. Quando estive a frente do futebol ao lado do Júnior e do José Maria Sobrinho, em 2004, levamos nossas partidas para Volta Redonda e triplicamos a receita do futebol. Hoje, devido principalmente a esta atitude, as condições são bem melhores, mas ainda estão longe do ideal. Para os anos que ficaremos sem o Maracanã temos exatamente essas opções de negociar com o Botafogo a utilização do Engenhão e conversar com a prefeitura de Volta Redonda. Outra possibilidade seria a de reeditar o projeto que criamos em 2005 no estádio da Portuguesa, na Ilha do Governador, quando em apenas nove semanas ampliamos o estádio de 5 mil lugares para 30 mil e desenvolvemos o projeto da Arena Petrobras. Já conversei com o presidente da Portuguesa para saber desta possibilidade, mas essa decisão ficará a cargo do grupo de trabalho deste setor.

TORCIDA DO FLAMENGO

A Nação Rubro-Negra reclama todos os dias da ausência de um projeto de sócio torcedor que valorize a verdadeira grandeza que representa o Flamengo tanto no cenário nacional e mundial. Você pretende implantar algum projeto de sócio torcedor caso eleita? Ou você acha um projeto como esse inviável e pretende lançar outros projetos pra conseguir o apoio financeiro dos torcedores?

A nação precisa ser ouvida sempre. Sei que há projetos interessantes, como o cidadão rubro-negro, que estão sendo desenvolvidos. Porém, para me inteirar de tudo e expor uma opinião mais embasada, precisaria conhecer os detalhes do contrato. O projeto sócio-torcedor não é a salvação das finanças do clube. O Internacional, por exemplo, só teve êxito neste caminho porque possui um estádio próprio. Precisamos, antes de tudo, criar uma estrutura que ofereça as melhores condições aos nossos torcedores, que precisam ser vistos como clientes. 

DÍVIDAS DO FLAMENGO

Segundo dados revelados recentemente, o Flamengo tem uma divida  em torno de R$ 300 milhões. Fica a pergunta: como você pretende diminuir essa divida e qual seria o reflexo disso, tanto no futebol como nos esportes olímpicos do clube?

Esses dados são sempre muito complexos de serem analisados, afinal de contas, nunca houve alguém que os apresentasse de forma exata. Porém, como disse antes,  um grupo de trabalho vai estudar a melhor forma de solucionar este problema que engessa qualquer atividade no clube. No dia 15 de novembro nós vamos apresentar mais detalhadamente este projeto. Posso assegurar que há como negociar a dívida através da gestão profissional que pretendemos implantar no Flamengo. E antes que digam que queremos vender o Flamengo, digo que é exatamente o oposto. Vamos criar mecanismos que viabilizem que o associado e o torcedor recuperem o clube, que nos dias atuais está todo “fatiado” entre os credores. Posso adiantar que, seja quem for que venha investir no Flamengo, terá de cumprir cláusulas que o obrigarão a manter o nível técnico que iremos colocar. O investidor vai entender que para ele será mais vantajoso manter um elenco de alto nível, estimulando um mercado consumidor de 30 milhões de clientes ávidos, do que simplesmente revender jogadores para o exterior.

SEDE DA GÁVEA E CT NINHO DO URUBU

A sede do Flamengo na Gávea está abandonada e precisa de uma revitalização tanto para os sócios que a freqüentam como também para os torcedores que vão ao clube assistir os treinos de futebol ou aos esportes olímpicos. Você pretende revitalizar a Gávea caso seja eleito? E qual a sua opinião sobre um shopping na Gávea?

Com relação ao shopping, vou repetir o que disse ao Márcio Braga desde a primeira vez que ele levantou esta hipótese: sou totalmente contra. Hoje em dia as pessoas estão buscando valorizar a vida, priorizando a saúde, e o esporte é o caminho ideal para isso. Então como vamos deixar a nossa vocação e tentar abrir lojas em nossa sede? Acredito sim, que podemos nos transformar em um grande shopping esportivo, ou seja, uma referência neste setor em um dos pontos mais privilegiados do Rio de Janeiro. Precisamos cada vez mais valorizar os nossos atletas para que eles se tornem captadores naturais de novos adeptos das diversas modalidades esportivas. Mas para isso, volto a dizer, precisamos implementar uma gestão profissional que viabilize oferecer infra-estrutura tanto para o atleta de alto rendimento como para os associados que buscam uma elevação na qualidade de vida.  

Qual é a informação que você tem hoje a respeito do CT Ninho do Urubu? E você caso eleito, terminaria o CT em sua gestão?

Tenho um carinho especial pelo Ninho do Urubu, afinal de contas, foi quando estive no departamento de futebol, em 2004, que foi criada a campanha da camiseta, desenvolvida pelo Ziraldo, o projeto EU AMO O FLA, que arrecadou fundos para o início das obras. A grande contratação do Flamengo seria a finalização deste CT, que será a grande fábrica de craques do nosso clube e servirá de grande incentivador para esses jogadores da base. Ali eles terão em quem se espelhar, pois terão ao seu lado diariamente os atuais atletas e os do nosso passado. Estes, principalmente, vão passar aos mais jovens o sentimento do que é esta Nação. Na visão do grupo FLA21 o CT é uma das prioridades.

INCORPORAÇÃO DO CFZ E TRANSFORMAÇÃO DO FLAMENGO EM EMPRESA

No primeiro semestre deste ano, o presidente Márcio Braga assinou um protocolo de intenções no qual prometia incorporar o CFZ, clube que pertence ao maior ídolo da história do clube, o Zico. Você é contra ou a favor dessa incorporação? E como você vê a possibilidade do Flamengo se tornar um clube-empresa?

O Zico, além de ser um grande amigo, é um patrimônio rubro-negro. Porém, para opinar sobre esta parceria precisaria conhecer os termos do acordo e não posso ser contra ou a favor de algo que nunca vi como foi conduzido. Em relação à gestão profissional, volto a dizer que ela será vital para que se valorize cada vez mais a marca Flamengo. Nunca foi montado antes para um clube brasileiro um plano estratégico profissional deste nível para se captar recursos no mercado. Em vez do que acontece hoje, quando as entidades ficam reféns das possibilidades que surgem, iremos buscar no mercado as condições rentáveis tanto para o Flamengo como para o investidor.

FLABASQUETE

Quando você e um grupo de voluntários assumiram os esportes olímpicos do Flamengo deram o suporte financeiro necessário para que eles fossem mantidos. O Fla-Basquete implantou idéias como a camisa para ajudar a pagar o time de basquete. No inicio foi constatado o baixo publico, apesar da promoção nos jogos realizados no Maracanãzinho,  inclusive em confrontos de maior apelo como contra Franca, Araraquara e Pinheiros. O que ocorreu naquele inicio de projeto no Fla-Basquete em relação à divulgação na mídia e o resultado que vimos no ginásio?

Na verdade, como você mesmo disse, ali foi um momento inicial do projeto. É normal que o torcedor que ainda não conhecia nosso trabalho neste setor ficasse desconfiado. Afinal de contas, ele sabia que tinha uma equipe de alto nível em quadra, mas que não recebia nenhum respaldo da diretoria, que sequer cumpria com suas obrigações mínimas, que era o de pagar os salários. Por isso, prefiro recordar as finais do NBB, onde tivemos mais de 15 mil pessoas por partida na HSBC Arena, partidas que estavam sendo transmitidas ao vivo para o Rio de Janeiro. Neste momento posso dizer então que o torcedor compreendeu plenamente nosso projeto e dos deu o maior incentivo de todos.

Quais seriam as principais falhas desse projeto “Fla-Basquete” que poderiam ser melhoradas caso você fosse eleito presidente do clube e como dar sustentabilidade aos outros esportes olímpicos do clube?

Apesar de preferir apontar os diversos fatores positivos desta caminhada, admito que poderíamos ter ido ainda mais longe, caso houvesse uma compreensão maior dentro do clube. A simples criação do site Flabasquete.com  que viabilizou o nosso contato direto com o torcedor rubro-negro que gosta de basquete e bancou boa parte da receita de nossa equipe foi alvo de diversas críticas daqueles que não entenderam o nosso propósito. Caso o apoio dentro do clube fosse pleno, acredito que o número de membros, que hoje passa dos 8 mil, seria ainda maior e mais participativo. Nossa meta seria criar uma estrutura semelhante para cada modalidade. A Flavolei.com, por exemplo, chegou a ser criada e conta com um bom número de integrantes. Esse modelo que propus ao clube é o mesmo que desenvolvo nos meus cursos de gestão esportiva e já se mostrou viável. Pena que não foi possível a seqüência do trabalho nos demais esportes. Mas assim que o Grupo Fla21 assumir a direção do clube, nós vamos dar esta sequência.

Clube   |   Fonte: Nação Flamengo
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