Na hora de salvar o ano, Flamengo lembra que 'craque se faz em casa'


Nesta quarta-feira, o Flamengo começa a decidir a Copa Sul-Americana contra o Independiente, da Argentina. A partida está marcada para começar às 21h45 (de Brasília), no estádio Libertadores de America, em Avellaneda, na grande Buenos Aires. A volta será dia 13, no mesmo horário, no Maracanã.

E, diferentemente de outros momentos do ano, a equipe rubro-negra apostará em suas categorias de base para garantir o título internacional, que vale, além de um bom prêmio em dinheiro, vaga para a Libertadores 2018 (que o clube já assegurou via Brasileirão), para a Recopa Sul-Americana e para a Copa Suruga Bank.

O time desta quarta-feira deve ter César; Pará, Juan, Réver (Rhodolfo) e Trauco; Cuéllar, Willian Arão, Diego, Éverton Ribeiro e Paquetá; Felipe Vizeu. 

Desta escalação, são quatro os formados na Gávea: o goleiro César (está no clube desde 2010, quando foi descoberto no Sendas), o zagueiro Juan (entrou na base do Fla em 1989), o meia Paquetá (prata-da-casa desde 2007, quando ingressou no sub-11) e o atacante Vizeu (rubro-negro desde 2013, quando foi trazido do América-MG para o sub-17).

Além deles, é provável que o atacante Vinícius Jr, outra joia da base flamenguista, tenha chance no decorrer da partida, como vem sendo comum nesta reta final de temporada.

Isso contrasta bastante com outros momentos em que o clube decidiu mata-matas neste ano. 

Na finalíssima do Campeonato Carioca, por exemplo, o Flamengo não alinhou nenhuma revelação de sua base: na vitória contra o Fluminense, o técnico Zé Ricardo mandou a campo Alex Muralha; Pará, Réver, Rafael Vaz e Renê; Márcio Aráujo, Willian Arão e Trauco; Éverton, Berrío e Guerrero.

O único prata-da-casa a ter chance foi Juan, que entrou no segundo tempo.

Já na finalíssima da Copa do Brasil, contra o Cruzeiro, quatro meses depois, a situação foi quase idêntica. A única exceção foi Juan, que jogou na formação titular com Alex Muralha; Pará, Réver e Trauco; Cuéllar, Willian Arão e Diego; Éverton, Berrío e Guerrero. 

Nos minutos finais, Paquetá ainda acabou entrando e colocando mais um atleta formado na Gávea em campo.

Na Argentina, nesta quarta, porém, já são quatro da base confirmados como titulares, com a possibilidade de um 5º em campo se Vinícius Jr entrar mesmo. 

Uma prova de que eles deixaram de ser meros reservas para se tornarem atletas decisivos na equipe do técnico Reinaldo Rueda.

O goleiro César é dono de uma das histórias mais espetaculares do futebol brasileiro no ano.

Ele era a 4ª opção para a meta flamenguista há alguns dias, mas uma sucessão de fatos o levaram à titularidade. Primeiro, Diego Alves se lesionou no jogo de ida contra o Junior-COL, pela semifinal da Sul-Americana. Alex Muralha, o reserva direto, entrou em seu lugar e de cara já foi mal no lance do gol colombiano.

No final de semana, Muralha cometeu falhas incríveis na derrota para o Santos, em plena Ilha do Urubu, e fez Reinaldo Rueda se mexer. Na quarta-feira seguinte, César ganhou a concorrência e foi titular no jogo de volta contra o Junior, fechando o gol e pegando até um pênalti. Agora, está confirmado contra o Independiente.

Já o veterano Juan alternou entre titularidade e banco durante toda a temporada.

Com Zé Ricardo, ele costumava ser preterido por Rafael Vaz. No entanto, as seguidas falhas do zagueiro acabaram custando sua posição no 11 inicial - e também o emprego do técnico. Quando Reinaldo Rueda assumiu, o ex-atleta da seleção brasileira voltou a ganhar chances e não decepcionou.

Atualmente, ele é titular absoluto e homem de confiança do colombiano na defesa. No jogo de volta contra o Junior, em Barranquilla, teve atuação impecável, e agora busca seu terceiro título internacional com o Flamengo (foi campeão das extintas Copa Mercosul, em 1999, e Copa Ouro da Conmebol, em 1996). 

Paquetá e Vizeu, por sua vez, viveram situações parecidas durante o ano.

Ao longo da maior parte de 2017, eles foram preteridos por atletas de maior renome, como Paolo Guerrero (dono de um dos maiores salários do elenco), ou de jogadores contratados por altos valores, como Berrío, que custou R$ 11 milhões ao Flamengo quando contratado do Atlético Nacional-COL.

Na reta final do ano, porém, foram os pratas-da-casa que decidiram: com a suspensão de Guerrero por investigação de doping e a lesão no joelho de Berrío, Paquetá e Vizeu assumiram a titularidade e não decepcionaram, mostrando raça em campo e fazendo gols e jogadas importantíssimas para levar o Fla à final continental.

Vinícius Jr, por sua vez, ainda não conseguiu se firmar como titular, até por conta de sua idade: tem apenas 17 anos. No decorrer de 2017, porém, foi ganhando chances de mostrar seu jogo e aos poucos vai justificando o porquê do Real Madrid ter apostado 45 milhões de euros (R$ 171,8 milhões, na cotação atual) em seu futebol.



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